Dissertação Argumentativa Definição e Características

Publicado em 13 de junho de 2017 na categoria ,

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DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA – PASSO A PASSO
PROFESSOR SINVAL SANTANA

– Dissertação Argumentativa

– Definição e Características

Dissertação é um gênero textual basicamente acadêmico, pouco comum fora da vida escolar. É o gênero mais cobrado em exames vestibulares e concursos. E depois será constantemente cobrado de você em sua vida universitária. Não é presença marcante nas revistas semanais de informação ou nos jornais, em que são mais comuns a crônica e o artigo de opinião.
Ao dissertar você debate, examina uma questão de relevância social, política, cultural, econômica.
A tipologia textual Dissertativa tem como modalidades mais usuais: Dissertação expositiva e Dissertação argumentativa. Ficamos aqui com a segunda categoria, a Argumentativa, que é a mais cobrada em concursos, vestibulares e no ENEM. Nesse gênero textual, você defenderá uma opinião a respeito do tema proposto, opinião apoiada em argumentos consistentes, estruturados com coerência e coesão, formando uma unidade textual.
O Objetivo, o intuito, da Dissertação argumentativa é convencer o leitor, persuadi-lo a concordar com a ideia ou ponto de vista exposto. Isso se faz recorrendo a vários recursos de argumentação, por meio de dados, estatísticas, provas, opiniões relevantes. Seu objetivo consiste em construir uma TESE sobre um problema e persuadir o leitor, com base em raciocínio e evidências de provas.
A dissertação argumentativa é fechada para o leitor, a conclusão é do autor.

– Exemplo de texto dissertativo-argumentativo:

A urbanização do Brasil, consolidada nas décadas de 1950/60/70, acompanhou a opção de um projeto de industrialização que privilegiou a indústria automobilística e o transporte individual. Vendidos como símbolo de modernidade, modelos como o Fusquinha, o Corcel 73, o Opala, tornaram-se o sonho de consumo da sociedade. Somada ao crescimento sem planejamento das cidades, essa opção produziu um dos mais estressantes trânsitos do planeta. O maior problema, contudo, encontra-se na falta de vontade dos governantes e da sociedade em reverter a situação.
Recentemente, em função da Copa do Mundo e Olimpíadas, as cidades envolvidas receberam pesados investimentos em transporte coletivo. Passada a empolgação, veio a ressaca: obras superfaturadas, algumas inacabadas, outras abandonadas e que ficaram restritas às cidades que sediaram os eventos. Paralelo a isso, o governo facilitou o crédito para a aquisição de veículos, e a frota do país dobrou na primeira década deste século. Medidas paliativas para solução do transporte público mais aumento da frota é igual ao caos cotidiano de toda média e grande cidades brasileiras.
É importante pontuar aqui todo o desgaste que tal contexto produz no plano coletivo e no individual. Poluição em todos os níveis, violência pelos acidentes, stress, são fatores negativos percebidos todos os dias e que podiam se evitar. Até porque as consequências de tais problemas representam um custo muito alto, mais de quarenta mil vítimas fatais a um custo de mais de cinquenta bilhões de reais – por ano. O governo arca com o custo financeiro dos acidentes, a sociedade com os traumas, sempre pesados. É um preço muito alto para não ser revisto.
O interesse coletivo tem de prevalecer sempre, pois o indivíduo vive em comunidade. Como medidas isoladas de prefeituras não resolvem de vez o problema, o governo federal precisa implantar urgente uma política nacional para a mobilidade urbana. E é necessário que essa medida seja acompanhada de uma parceria com a sociedade, pois sem a participação consciente de todos os cidadãos, nada mudará. A parceria governo sociedade se faz por instituições como a Igreja, a Escola e a Imprensa. Feito isso reverte-se a lógica da frase atribuída a Maquiavel – pois os fins não justificam os meios.

– A IMPORTÂNCIA DO TEXTO-PADRÃO E DO PARÁGRAFO-PADRÃO

Lei seca: Efeito na mente para um efeito nas ruas

Há não muito tempo foi proposta e então aprovada a legislação que proíbe motoristas de dirigir com qualquer nível de álcool no sangue. Policiais foram munidos de bafômetro, avisos publicitários alardearam, assim como ainda o fazem, a respeito da nova lei e da necessidade de massiva tomada de consciência. Uma enorme movimentação voltada para a concretização de resultados.
Muito se estuda os efeitos da implantação da Lei Seca. Dados oriundos de todo o território nacional são organizados em gráfico e uma rápida análise já confirma os efeitos imediatos e positivos da nova legislação: diminuição do número de acidentes automobilísticos, assim como de mortes causadas por eles. É preciso analisar, no entanto, se as possibilidades delineadas pelo projeto de lei estão sendo aproveitadas no seu maior potencial. Apesar da queda dos números, ainda muitas tragédias insistem em acontecer, ocasionadas pela desastrosa união do álcool com a direção.
Se a lei está em vigor, o punimento é severo, porém o problema não foi erradicado, a execução do projeto possui lacunas. Pesquisas de opinião apontam que prevalece uma aceitação, próxima a cem por cento, acerca da Lei Seca. Obviamente há uma disparidade entre a teoria e a prática. Isso está relacionado ao egocentrismo humano. No fundo, não vemos problemas em ter certas regras quebradas por nós, mas elas devem valer para os outros. Isso causa enorme caos justamente por ser uma tendência e não uma exceção de ponto de vista. Uma pessoa desobedece aqui, outa, ali, e o trânsito vai se enchendo de pessoas alcoolizadas. Entra nesse momento um segundo problema: a carência de uma fiscalização eficiente.
Somados, o descumprimento individual da Lei Seca e o falho sistema de fiscalização impedem uma maximização de resultados. Para os efeitos esperados serem vistos na realidade é necessário corrigir essas duas lacunas maiores. O número de aparelhos etilômetros, assim como o número de policiais nas ruas, principalmente em pontos estratégicos deve aumentar. E para os efeitos físicos serem sentidos, deve haver também uma ampliação no efeito moral que a lei trouxe. É preciso começar a agir como se espera que “todos ajam”. Se isso fizer efeito nas mentes, a Lei Seca fará efeito nas ruas.

Comentários

A redação acima levou 1000 no ENEM. Para merecer a nota máxima, o texto obedeceu a alguns critérios. Em primeiro lugar, é necessário entender a correção. Nos exames vestibulares, nos concursos e no ENEM, o gênero exigido é dissertativo argumentativo. Ou seja, a banca espera que o candidato mostre competência no desenvolvimento de um texto em que ele demonstra competência para se posicionar, apresentar uma tese e persuadir seu leitor/o corretor com argumentação convincente. A redação será bem avaliada se adequar-se ao gênero.

Segundo ponto a ser considerado na construção de sua Redação. O texto dissertativo-argumentativo, mais do que qualquer outro, é um TEXTO PADRÃO, que se utiliza do PARÁGRAFO-PADRÃO. O texto padrão segue o esquema INTRODUÇÃO/primeiro parágrafo – DESENVOLVIMENTO/segundo e terceiro (e/ou quarto) parágrafos – CONCLUSÃO/último parágrafo. Cada parágrafo segue o padrão de três ou quatro períodos, sendo o primeiro de introdução/tópico frasal/ideia principal, os segundo e terceiro períodos de desenvolvimento e o quarto período conclui o parágrafo/fazendo a problematização do tema.
Agora, releia a Redação reproduzida acima. Note que o texto tem quatro parágrafos e, em cada parágrafo, utilizaram-se, no mínimo, três períodos. A nota alcançada deveu-se muito ao fato de o candidato ter utilizado uma estrutura convencionada, que favorece a clareza e a objetividade.
Analisando o primeiro parágrafo do texto, observe que o primeiro período serviu de ideia central, por isso, é o tópico-frasal:

Muito se estuda os efeitos da implantação da Lei Seca.

Os outros períodos desenvolveram a ideia. Observe também que o último, destacado abaixo, serve como conclusão, além de funcionar como gancho para o próximo parágrafo:

Dados oriundos de todo o território nacional são organizados em gráfico e uma rápida análise já confirma os efeitos imediatos e positivos da nova legislação: diminuição do número de acidentes automobilísticos, assim como de mortes causadas por eles. É preciso analisar, no entanto, se as possibilidades delineadas pelo projeto de lei estão sendo aproveitadas no seu maior potencial. Apesar da queda dos números, ainda muitas tragédias insistem em acontecer, ocasionadas pela desastrosa união do álcool com a direção.

Por fim, pode-se dizer que o ideal para uma dissertação é que cada parágrafo seja uma pequena dissertação, com introdução, desenvolvimento e uma possível conclusão. Ou seja, como foi dito, a estrutura padrão para o parágrafo exige um período central, outros que o desenvolvam e outro que sirva de conclusão (se for conveniente).

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