ALGUMA POESIA – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – ANÁLISE E TEXTOS

Publicado em 07 de maio de 2017 na categoria

ALGUMA POESIA – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
ANÁLISE E POEMAS
PROFESSOR SINVAL SANTANA

Guia de Redação – Curso online de Redação
Professores Grazi Castro e Sinval Santana

Específica de Redação – Curso Juris
Professores: Sinval Santana e Zé Laranja

– SEGUNDA FASE MODERNISTA

A Segunda Fase Modernista – 1930 a 1945 – desenvolve-se em momento de crise intensa, tanto na economia, como na política, gerando o indivíduo e o mundo em conflito. Os regimes autoritários na Europa e no Brasil criaram clima sombrio que se reflete na postura do artista do período, levado a assumir uma postura diante da realidade. A postura tomada foi a do engajamento, do comprometimento com a conscientização e com a construção de um mundo melhor.
A poesia assumiu a temática dos dramas individuais e sociais, apresentando a angústia de estar no mundo e a sensação de estranhamento provocada por esta descoberta. Na estrutura, os poetas do período mantiveram o verso livre, a oralidade e linguagem cinematográfica da fase anterior, mas resgataram formas tradicionais, desprezadas pelos primeiros modernistas. Destacam-se Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Jorge de Lima e Murilo Mendes.
As produções em prosa buscaram a universalidade, a visão crítica da História de seu tempo, denunciando a opressão e a miséria humana. Por se ocupar de painéis sociais de maior amplitude, o gênero textual adequado a suas intenções foi o romance, denominado romance de 30. Destacam-se no período as produções do Regionalismo Nordestino, grupo que tem em Graciliano Ramos, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz os principais nomes.

– CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – BIOGRAFIA

Carlos Drummond de Andrade saiu da cidade natal, Itabira, MG, onde nasceu em 31 de outubro de 1902, para o mundo. Realizou os primeiros estudos em Belo Horizonte e Nova Friburgo-RJ. Formado em Farmácia, trabalhou sempre no serviço público, na imprensa, envolvido sempre em atividades intelectuais. Fundou, com amigos, A Revista, para divulgar o Modernismo em Minas. Publicou em 1928 o poema No Meio do Caminho, o célebre poema da pedra, na Revista da Antropofagia e se tornou amigo dos modernistas paulistas. Mudou-se para o Rio de Janeiro, a convite do amigo Gustavo Capanema, ministro da Educação do governo Vargas, foi chefe de gabinete por onze anos. Depois trabalhou no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962, tornando-se colaborador de jornais até os anos 1980. Faleceu no Rio de Janeiro em 05 de agosto de 1987, na semana posterior à morte de sua filha Julieta.

– CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – OBRA

– Poesia: Alguma Poesia (1930) Brejo das Almas (1934) Sentimento do mundo (1940) José (1942) A Rosa do Povo (1945) Claro Enigma (1951) Fazendeiro do ar (1954) Viola de Bolso (1955) Lição de Coisas (1964) Boitempo (1968) A falta que ama (1968) Nudez (1968) As Impurezas do Branco (1973) Menino Antigo (Boitempo II) (1973)
A Visita (1977) Discurso de Primavera e Algumas Sombras (1977) Esquecer para Lembrar (Boitempo III) (1979) A Paixão Medida (1980) Corpo (1984) Eu, etiqueta (1984) Amar se aprende amando (1985) Poesia Errante (1988) O Amor Natural (1992) Farewell (1996)
A poesia de Carlos Drummond de Andrade é a que melhor representa os conflitos da Segunda Fase Modernista, o eu estar no mundo. Nessa fase, observamos o equilíbrio entre as conquistas da primeira, como o verso livre, a estrofação irregular, a oralidade da linguagem, e a retomada de formas tradicionais como o soneto, a redondilha. O livro Alguma Poesia, o primeiro do poeta, reflete, quanto à forma, a influência da liberdade conquistada em 1922. Todos os poemas do livro trilham pela liberdade formal. Só mais tarde Drummond recorrerá às formas tradicionais.
Carlos Drummond de Andrade iniciou sua produção poética sob o impacto da Semana de Arte Moderna. Publicou o polêmico poema No Meio do Caminho, em 1928, na Revista da Antropofagia. Seu primeiro livro, 1930, Alguma Poesia, ainda reflete ecos da fase heroica, iconoclasta, mas introduz a marca de principal de sua obra: o ser humano em crise, a dialética do eu com o mundo. O eu estar no mundo, retorcido, angustiado, o desconforto da vida, os conflitos existenciais e sociais do ser humano moderno identificam a poesia de Carlos Drummond de Andrade, carregada de ironia, em uma visão aparentemente pessimista da existência. Quanto à linguagem, Drummond mantém as conquistas da primeira fase modernista, o verso livre e a oralidade, mas resgata as formas fixas de poema e a linguagem padrão quando adequadas ao tema trabalhado.
O conflito do ser com o mundo visto na poesia de Carlos Drummond de Andrade segue dialética rigorosa. Os dois livros revelam o eu sarcástico que ri do mundo e dos outros, o gauche, mas, no decorrer de sua obra, tal postura evolui para o eu menor que o mundo, o eu que se sente acuado, pequeno, diante dos dramas existenciais e sociais. É sua poesia social, principalmente nas obras Sentimento do Mundo e Rosa do Povo. A conclusão da dialética se observa principalmente no livro Claro Enigma, de poesia reflexiva, filosófica, metalinguística, em que o eu da poesia drummondiana tem a percepção dos problemas universais e se sensibiliza com o outro e com os dramas da humanidade.

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Professores Grazi Castro e Sinval Santana

Específica de Redação – Curso Juris
Professores: Sinval Santana e Zé Laranja

– CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – ALGUMA POESIA

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

– Análise estrutural do poema: a construção dos versos recorre às conquistas do Modernismo vanguardista de 1922, a Primeira Fase, como os versos e as estrofes livres e a oralidade da linguagem (botam a gente comovido como o diabo.).
– A distribuição das estrofes justifica o título: Poema de sete faces: sete estrofes, cada uma corresponde a uma face/um aspecto do eu-lírico.
– O poema é típico representante do lirismo moderno, que se opõe ao lirismo tradicional. Este trabalha o sentimento do EU, aquele o sentimento do mundo. Observe que o poema alterna a primeira pessoa, o EU-LÍRICO,
Quando nasci/meus olhos não perguntam/eu não devia te dizer
e a terceira pessoa, referindo-se ao outro, ao mundo a sua volta
As casas espiam os homens /que correm atrás de mulheres. /A tarde talvez fosse azul, /não houvesse tantos desejos.
– As imagens da primeira estrofe constituem um paradoxo, pela oposição de ideias – anjo torto, desses que vivem na sombra – anjo associa-se a retidão e clareza.
– A segunda estrofe apresenta personificação/as casas espiam e metáfora/tarde azul.
– A terceira estrofe traz recurso típico da linguagem modernista, a ausência de pontuação – pernas brancas pretas amarelas – enumeração caótica, indicando simultaneidade, as pernas passam ao mesmo tempo no mesmo espaço.
– A quarta estrofe tem os versos mais curtos e a linguagem mais sóbria, por retratar o momento solene do poema; nesta estrofe, o indivíduo tem comportamento mais formal, é sisudo; ou, como se diz em Minas, é um homem sistemático.
– Na quinta estrofe, o eu-lírico dialoga com o discurso bíblico – Meu Deus, por que me abandonaste – e percebem-se os recursos de repetição, uma das principais marcas da poesia drummondiana:
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Nos versos, ocorre a anáfora pela repetição da expressão se sabias que eu no início, e o paralelismo, pois os dois versos têm a mesma estrutura sintática (se/conjunção, sabias/verbo transitivo direto, que/conjunção integrante, eu não era Deus eu era fraco/oração subordinada substantiva objetiva direta.).
– A sexta estrofe recorre a recurso de repetição, a reiteração da palavra mundo no primeiro verso, a rima mundo/Raimundo com sentido irônico, e a hipérbole – mais vasto é o meu coração – para justificar o EU maior que o MUNDO.
– A sétima e última estrofe quebra a tensão das anteriores, o que se confirma na linguagem, despojada, informal, com marcas de oralidade.

– Análise discursiva do poema: este poema abre o livro Alguma Poesia, é o cartão de visita do poeta, portanto nele observamos aspectos centrais da temática de Carlos Drummond de Andrade, em sua fase inicial, o primeiro passo da dialética EU x MUNDO. Esse primeiro momento é o do indivíduo deslocado, que não se encaixa, que não se encontra, o GAUCHE/esquerdo/à margem, o EU maior que o MUNDO. Essa atitude é a de um EU irônico, que ri do outro, do mundo e que se posiciona acima, distante das questões alheias – mais vasto é o meu coração.
O outro aspecto que o poema evidencia é a DISSONÂNCIA, são sete faces, sete máscaras. Estas representam o EU multifacetado, reflexo da realidade fragmentada que dissolve o indivíduo contemporâneo em múltiplos EUS.
O Poema de Sete Faces, portanto, não é o poema de abertura do livro por acaso. Espécie de síntese da fase inicial de Drummond, o poema apresenta ao leitor a sua fase GAUCHE, irônica, em que o indivíduo multifacetado não consegue se encaixar, por estar frente a uma realidade marcada pela DISSONÂNCIA. A resposta desse indivíduo, nesse primeiro momento, é se colocar acima, irônico em relação ao outro, ao mundo e a si mesmo. É o momento do EU maior que o MUNDO.

– POEMAS PARA LEITURA E ANÁLISE:

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

01- A Literatura modernista apresenta a realidade fragmentada, marcada por desencontros. Redija um parágrafo sucinto, explicando essa característica no poema:
R: O poema caracteriza-se não por uma série de relações únicas, mas aleatórias, que ressalva o “ninguém é de ninguém” e o breve encontro com diversas vidas, sem detalhes, apenas resumos.

02- Por sua fragmentação, associe o poema a uma das Vanguardas modernistas:
R: O poema está associado ao Cubismo, por sua concepção de realidade fragmentada.

03- Considerando que uma das características da poesia de Drummond é o equilíbrio da linguagem, na utilização tanto da variedade padrão como da não padrão, comente a linguagem do poema:
R: A linguagem, mesmo em sua maior parte sendo padrão, apresenta uma informalidade doce e simples; não se trata de uma linguagem rebuscada; é correta, mas transmite ao mesmo tempo uma simplicidade ímpar.

04- O poema apresenta o eu que zomba do outro ou um eu que sofre também a angústia do outro? Justifique?
R: Não é um eu que sofre a angustia do outro. O eu apenas relata uma série de eventos, que zombam e descrevem um breve momento na vida de determinada pessoas que passaram pela vida de outras.

05- Comente o aspecto em que o poema apresenta ruptura com o lirismo romântico:
R: A ruptura ocorre por não ser um poema estritamente retratando o amor. O amor, na verdade não há, apenas uma sucessão de desencontros que culmina numa morte e numa ironia ao final do poema.

Cota Zero

Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

01- Explique a característica estrutural da poesia modernista que o poema ressalta:
R: a síntese, a concisão, a linguagem cotidiana.

02- Associe o poema à vida moderna:
R: o poema destaca a presença da língua inglesa e do automóvel, associando sua ideia à vida contemporânea e à americanização.

03- Sobre o poema, pode-se dizer que:

A) os dois textos podem ser aproximados quanto ao tema (mecanização do cotidiano); entretanto, enquanto o primeiro apresenta uma visão crítica sobre o tema, o segundo faz uma apologia bem-humorada do progresso urbano.
B) os textos assemelham-se não apenas quanto ao tema (automatização da vida humana), mas também quanto à linguagem: ambos apresentam a brevidade e a descontinuidade sintática características de Alguma Poesia.
C) a crítica à mecanização excessiva que caracteriza a vida moderna evidencia-se, no texto I, especialmente no emprego da antítese no primeiro verso, e, no texto II, no emprego do estrangeirismo, ou barbarismo (stop).
D) o texto II apresenta, através de uma linguagem marcada pela concisão telegráfica, a crítica presente no texto I, uma vez que os termos zero, stop e parou indicam a total dependência da vida moderna em relação às máquinas.
E) a máquina como assunto poético pode ser verificada nos dois textos, o que torna evidente a influência exercida, sobre o autor, da vanguarda artística conhecida como futurismo.

Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro… que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

Cidadezinha qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar… as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

Também já fui brasileiro

Eu também já fui brasileiro
Moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude
Mas há uma hora em que os bares se fecham
e todas as virtudes se negam.

Eu também já fui poeta.
Bastava olhar para mulher,
pensava logo nas estrelas
e outros substantivos celestes.
Mas eram tantas, o céu tamanho,
minha poesia perturbou-se.

Eu também já tive meu ritmo.
Fazia isto, dizia aquilo.
E meus amigos me queriam,
meus inimigos me odiavam.
Eu irônico deslizava
satisfeito de ter meu ritmo.
Mas acabei confundindo tudo.
Hoje não deslizo mais não,
não sou irónico mais não,
não tenho ritmo mais não.

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

Europa, França e Bahia

Meus olhos brasileiros sonhando exotismos.
Paris. A torre Eiffel alastrada de antenas como um caranguejo.
Os cais bolorentos de livros judeus
e a água suja do Sena escorrendo sabedoria.

O pulo da Mancha num segundo.
Meus olhos espiam olhos ingleses vigilantes nas docas.
Tarifas bancos fábricas trustes craques.
Milhões de dorsos agachados em colônias longínquas formam um tapete
para Sua Graciosa Majestade Britânica pisar.
E a lua de Londres como um remorso.

Submarinos inúteis retalham mares vencidos.
O navio alemão cauteloso exporta dolicocéfalos arruinados.
Hamburgo, embigo do mundo.
Homens de cabeça rachada cismam em rachar a cabeça dos outros
dentro de alguns anos.
A Itália explora conscientemente vulcões apagados,
vulcões que nunca estiveram acesos
a não ser na cabeça de Mussolini.
E a Suíça cândida se oferece
numa coleção de postais de altitudes altíssimas.

Meus olhos brasileiros se enjoam da Europa.

Não há mais Turquia.
O impossível dos serralhos esfacela erotismos prestes a declanchar.
Mas a Rússia tem as cores da vida.
A Rússia é vermelha e branca.
Sujeitos com um brilho esquisito nos olhos criam o filme bolchevista
e no túmulo de Lenin em Moscou parece que um coração enorme
está batendo, batendo mas não bate igual ao da gente…

Chega!
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a “Canção do exílio”.
Como era mesmo a “Canção do exílio”?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá.

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

Anedota Búlgara

Era uma vez um czar naturalista
que caçava homens.
Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas,
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

Política Literária

A Manuel Bandeira

O poeta municipal
discute com o poeta estadual
qual deles é capaz de bater o poeta federal.

Enquanto isso o poeta federal.
tira ouro do nariz.

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

Sweet Home

A Ribeiro Couto

Quebra luz, aconchego.
Teu braço morno me envolvendo.
A fumaça do meu cachimbo subindo.
Como estou bem nesta poltrona de humorista inglês.

O jornal conta história, mentiras…
Ora, afinal, a vida é um bruto romance
E nós vivemos folhetins sem o saber.

Mas surge o imenso chá com torradas,
Chá de minha burguesia contente.
Ó gozo de minha poltrona!
Ó doçura de folhetim!
Ó bocejo de felicidade!

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

Poema da Purificação

Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.

As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.

Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.

Alguma Poesia – Carlos Drummond de Andrade

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